No cenário em constante transformação da liderança corporativa, a relação entre CEOs e seus funcionários muitas vezes pode parecer uma dança delicada. Uma análise recente da Glassdoor destaca o que os colaboradores realmente buscam em seus líderes, trazendo percepções surpreendentes sobre desenvolvimento de carreira, mentoria e a importância frequentemente subestimada de uma cultura de trabalho positiva. Esse estudo abrangente, baseado em mais de 150.000 avaliações de colaboradores nos Estados Unidos, traça um panorama claro do que diferencia os CEOs mais bem avaliados daqueles que ficam aquém.
O poder do crescimento e das oportunidades
Não é segredo que os funcionários desejam oportunidades de crescimento. O que pode surpreender, porém, é o quão determinante esse fator é para diferenciar os melhores CEOs. Na análise da Glassdoor, termos como “mobilidade” e “oportunidades de crescimento” foram mencionados com muito mais frequência em avaliações positivas de líderes mais bem avaliados. “Mobilidade”, por si só, apareceu 253% mais vezes nas avaliações de CEOs que venceram o prêmio Best CEOs 2026 do que nas daqueles que não receberam o reconhecimento. Esse foco em crescimento não é apenas um diferencial, algo “bom de ter”. É um motor fundamental da satisfação dos colaboradores.
Desenvolvimento de carreira não se resume a subir degraus na escada corporativa. Ele envolve mentoria, coaching e treinamentos, elementos que foram destacados nas avaliações de CEOs bem-sucedidos. A presença dessas iniciativas sinaliza aos funcionários que seus líderes estão comprometidos com o crescimento pessoal e profissional deles. Como alguém que já viu o impacto de uma mentoria eficaz de perto, posso afirmar que ela cria uma ponte entre as aspirações dos colaboradores e os objetivos da organização.
Comunicação: o calcanhar de Aquiles da liderança
Por outro lado, os colaboradores que trabalhavam sob a orientação de CEOs que não entraram na lista dos melhores relataram preocupações com comunicação e transparência. Esses termos foram apontados como desvantagens, com “comunicação” sendo mencionado 76% mais vezes como uma fraqueza. Isso não é apenas sobre manter os funcionários informados. Trata-se de criar uma cultura em que transparência e diálogo aberto sejam a regra, e não a exceção.
Quando os funcionários citam “estratégia” e “direção” como fraquezas, isso indica falta de confiança na capacidade da liderança de conduzir a empresa de maneira eficaz. Essa ausência de clareza estratégica pode gerar uma sensação de instabilidade, que é agravada ainda mais por menções a “demissões” e “rotatividade”. É um lembrete contundente de que liderança não é só definir uma visão. Também é comunicar essa visão de forma eficaz e tranquilizar os colaboradores sobre o papel deles dentro desse plano.
A faca de dois gumes da cultura
Cultura é um tema recorrente nas avaliações dos funcionários, aparecendo tanto como força quanto como fraqueza. Enquanto termos como “inclusivo” e “equilíbrio entre vida pessoal e profissional” são elogiados nas avaliações dos CEOs mais bem avaliados, palavras como “tóxico” e “medo” surgem nas críticas a líderes menos bem-sucedidos. Esse contraste evidencia o caráter de faca de dois gumes da cultura no ambiente de trabalho: ela pode ser o maior ativo de uma empresa ou sua maior vulnerabilidade.
Para os CEOs, o desafio consiste em cultivar uma cultura de confiança e respeito. Não basta apenas evitar criar um ambiente tóxico. Líderes precisam fomentar ativamente uma cultura positiva e inclusiva. Os colaboradores querem ser ouvidos e respeitados, e esperam que seus líderes não sejam apenas figuras representativas, mas defensores de um ambiente de trabalho que ofereça suporte.
Lições dos melhores
O estudo da Glassdoor também destaca alguns dos CEOs mais bem avaliados, como Jensen Huang, da Nvidia, com impressionantes 99% de aprovação. Esses líderes, presentes em setores que vão da tecnologia à indústria de fast food, mostram que uma liderança eficaz vai além do segmento de negócios. O que eles têm em comum é o compromisso com o crescimento dos colaboradores e uma cultura transparente e de suporte.
Ao refletir sobre esses resultados, fica claro que o caminho para se tornar um CEO bem avaliado não é pavimentado por gestos grandiosos nem por mudanças amplas e repentinas. Pelo contrário, trata-se das ações consistentes do dia a dia que constroem confiança e respeito dentro da organização. Como Daniel Zhao, economista-chefe da Glassdoor, coloca de forma precisa: “para ser considerado um CEO de destaque, é tão simples quanto ‘não bagunçar’”.
Em uma época em que os colaboradores se mostram cada vez mais dispostos a falar sobre o que valorizam, a mensagem é clara: liderança que prioriza desenvolvimento de carreira e fortalece uma cultura positiva não apenas conquista lealdade, mas também impulsiona o sucesso. À medida que continuamos a lidar com as complexidades do ambiente de trabalho moderno, talvez a principal lição seja que os melhores líderes são aqueles que escutam, se ajustam e crescem junto com suas equipes.
