Imagine-se a integrar uma empresa com uma orientação que mistura entusiasmo e pressão: não estragar a cultura à medida que ela se expande. Foi este o desafio que Mark Levy enfrentou quando chegou à Airbnb, em 2013. Nomeado para modernizar a função de Recursos Humanos, a sua missão não era apenas atualizar os processos de RH, mas transformá-los numa área alinhada com o ethos único da Airbnb e com a sua trajetória de crescimento. O seu cargo, Global Head of Employee Experience, marcou o início de uma abordagem pioneira para os Recursos Humanos.
De RH para Employee Experience
Quando Levy chegou à Airbnb, a área de Recursos Humanos estava fragmentada. Equipas diferentes apoiavam os colaboradores de formas distintas, mas trabalhavam de forma independente. Os fundadores da Airbnb eram claros: não gostavam do RH tradicional e queriam algo inovador. A solução de Levy passou por unificar estas funções dispersas sob um mesmo guarda-chuva e alargar o âmbito para incluir bem-estar e impacto social, rebatizando o departamento como Employee Experience. Não foi apenas uma mudança de nome. Sinalizou uma mudança de rumo, com o foco principal na melhoria do envolvimento dos colaboradores.
A transformação não se limitava à reorganização interna. Tratava-se de criar um sentimento de pertença que se alinhava com a missão da Airbnb: construir um mundo em que qualquer pessoa possa pertencer a qualquer lugar. Esta mudança cultural não só aumentou a satisfação dos colaboradores como também reforçou a marca global da Airbnb.
Co-criação: um novo paradigma de RH
Um dos aspetos mais marcantes da estratégia de Levy foi a ênfase na co-criação. Em vez de definir políticas e processos de cima para baixo, Levy envolveu os colaboradores na conceção das iniciativas de RH. Por exemplo, quando chegou a altura de redesenhar a gestão do desempenho, Levy trabalhou em conjunto com a equipa de engenharia para testar processos novos. Esta abordagem inclusiva garantiu que as soluções faziam sentido e eram valorizadas por quem as iria utilizar.
Esta estratégia de fazer as coisas com os colaboradores, e não para eles, ajudou a criar uma cultura de participação e capacitação. Os colaboradores deixaram de ser recetores passivos das políticas de RH; passaram a ser contributores ativos para o desenvolvimento do ambiente em que trabalham.
Apostar num RH não tradicional
A abordagem da Airbnb aos Recursos Humanos estava longe de ser convencional. Um elemento inovador foi o Ground Control, uma equipa dedicada à comunicação interna e ao envolvimento dos colaboradores. Esta equipa facilitava a comunicação entre os colaboradores e a liderança sénior, celebrava conquistas e reforçava a missão e os valores da empresa.
Ao capacitar os colaboradores para organizarem e liderarem esta função, a empresa afastou-se do modelo tradicional de comando e controlo. Deu aos colaboradores uma voz na forma como a cultura da empresa era construída e no papel que o RH desempenhava nesse processo. Esta capacitação foi essencial para manter a cultura vibrante que os fundadores da Airbnb estavam decididos a preservar.
Reposicionar o papel dos RH
Muitas organizações olham para os RH através de uma lente transacional, vendo-os como uma função que faz cumprir políticas, e não como um parceiro estratégico. O trabalho de Levy na Airbnb veio contrariar esta perceção. Ao reposicionar o RH como uma componente vital do enquadramento estratégico da empresa, evidenciou o seu papel na construção de uma cultura laboral próspera.
A equipa de Employee Experience da Airbnb demonstrou que o RH moderno vai muito além da conformidade. Trata-se de melhorar o envolvimento, fomentar a inovação e contribuir para a missão e os objetivos mais amplos da empresa. Este reposicionamento não só melhorou a reputação dos RH dentro da organização como também estabeleceu um precedente para a forma como os RH podem ser vistos noutras empresas.
Refletir sobre a transformação dos RH na Airbnb
A trajetória da Airbnb sob a liderança de Levy traz lições valiosas para qualquer organização que queira evoluir as suas práticas de RH. Mostra a importância de ter intenção ao definir o que se pretende dos RH e a vontade de adotar abordagens não tradicionais. Também evidencia o poder do envolvimento dos colaboradores na criação de políticas que afetam a vida profissional do dia a dia.
Ao pensarmos no futuro dos RH, a experiência da Airbnb convida-nos a considerar como podemos criar ambientes de trabalho onde pessoas e organizações verdadeiramente prosperam. De que forma a co-criação e a capacitação podem transformar os RH na sua organização? As respostas poderão redefinir não apenas os Recursos Humanos, mas também a própria natureza do trabalho.
