No cenário em evolução da inteligência artificial, as empresas têm-se fixado numa métrica em particular: quantos empregos a IA pode substituir. Embora este foco estreito, aparentemente simples, possa estar a afastar as organizações de desbloquearem verdadeiramente o potencial da IA. Um relatório recente de Tomas Gorny, publicado no Inc.com, sugere uma mudança de paradigma na avaliação do papel da IA para reforçar as capacidades organizacionais. Gorny introduz o conceito de capability yield, que pode redefinir a forma como entendemos o valor da IA nos negócios.
As limitações das métricas de substituição de empregos
Durante anos, o fascínio pela IA tem estado ligado ao seu potencial para automatizar tarefas e, consequentemente, reduzir a necessidade de trabalho humano. A ideia é simples: menos colaboradores significam custos mais baixos e, potencialmente, lucros mais altos. No entanto, esta perspetiva falha num ponto crucial. Ao concentrarem-se apenas na substituição de empregos, as empresas podem ignorar como a IA pode, de facto, reforçar as capacidades humanas, conduzindo a inovação e crescimento que vão além da mera poupança de custos.
Pense-se num departamento de apoio ao cliente. A métrica tradicional pode centrar-se em quantos agentes a IA consegue substituir. Mas e se a IA, em vez disso, permitir que esses agentes resolvam questões mais rapidamente, melhorem a satisfação do cliente e libertem tempo para lidar com assuntos mais complexos? O valor da IA, neste caso, não está em reduzir a dimensão da equipa, mas em aumentar a eficácia global do grupo.
Adoção do capability yield
O conceito de capability yield muda o foco da substituição para o reforço. Incentiva as empresas a colocarem um conjunto diferente de questões: de que forma pode a IA amplificar os nossos pontos fortes atuais? De que modos pode abrir novas vias para o crescimento? Esta perspetiva promove uma avaliação mais abrangente do impacto da IA, considerando não apenas reduções diretas de custos, mas também benefícios a longo prazo associados a maior inovação e agilidade.
Vejamos, por exemplo, uma empresa de logística que utiliza IA para otimizar as rotas de entrega. Se a métrica principal for a redução de empregos, o potencial da IA pode ser subvalorizado. Contudo, se avaliarmos o capability yield, podemos descobrir que a IA reduz os tempos de entrega, diminui o consumo de combustível e melhora a satisfação do cliente. Estes são resultados que contribuem para um negócio mais forte e mais competitivo.
O impacto empresarial do capability yield
Ao passar para um modelo de capability yield, é preciso redefinir o sucesso. Isso obriga as empresas a desenvolver novas métricas que reflitam os impactos mais amplos da IA. Poderá passar por acompanhar melhorias na experiência do cliente, na velocidade de inovação ou até na satisfação dos colaboradores à medida que estes se envolvem em trabalho mais significativo.
Além disso, esta mudança pode influenciar a tomada de decisões estratégicas. As empresas podem passar a dar prioridade aos projetos de IA de formas diferentes, investindo em áreas onde a IA reforça capacidades em vez de simplesmente substituir funções humanas. Esta abordagem pode conduzir a uma integração de IA mais sustentável, na qual a tecnologia e a engenhosidade humana se combinam para impulsionar o progresso do negócio.
Uma nova perspetiva sobre o papel da IA
Este novo olhar desafia-nos a repensar o lugar da IA no mercado de trabalho. Não é apenas uma ferramenta de automatização, mas um catalisador de transformação. Por exemplo, refere-se que empresas como a Siemens utilizaram IA para otimizar processos de fabrico, com foco em reforçar a capacidade dos trabalhadores de monitorizarem e melhorarem as linhas de produção com mais eficiência. Ainda assim, é importante confirmar esta alegação específica junto de uma fonte direta para garantir rigor.
Na minha perspetiva, esta mudança não é apenas benéfica, é necessária. À medida que a IA continua a evoluir, o seu potencial real está na capacidade de transformar a forma como trabalhamos, pensamos e criamos. O caminho para abraçar o capability yield pode ser complexo, mas promete um futuro em que as empresas não sejam apenas mais eficientes, mas também mais inovadoras e resilientes.
Estamos prontos para abraçar esta mudança? Os potenciais ganhos estão à espera.
