No mundo acelerado das startups e das iniciativas criativas, o génio de uma(o) fundadora(or) muitas vezes é a faísca que dá início à inovação. Ainda assim, como Lauren Templeton, da Select School of Performing Arts, descobriu, a mesma faísca pode, sem querer, tornar-se um limite. Este paradoxo não é apenas a história da trajectória de uma única empreendedora; é, sobretudo, uma narrativa mais abrangente sobre o equilíbrio delicado entre liderança e criatividade.
O dilema da visão singular
A jornada de Lauren Templeton começou com uma visão tão ousada quanto única. Ela transformou a sua escola, que começou com apenas três aulas de ballet, num vasto ecossistema com 50 localizações, chegando a mais de mil estudantes por semana. No início, cada decisão criativa vinha dela — a fundadora. Esta abordagem parecia eficiente e até necessária na altura. Porém, à medida que a organização cresceu, cresceram também as exigências sobre o tempo e a energia de Templeton. A história dela destaca uma verdade essencial: as características que ajudam as(os) fundadoras(es) a construir também podem limitar as criações.
Ela percebeu que, ao ser a única força criativa, tinha — sem querer — criado um tecto, não apenas para o potencial da sua equipa, mas também para a capacidade da escola de inovar e evoluir. “Achava que estava a liderar”, reflectiu, “mas estava, na verdade, a criar um tecto.” Esta percepção é crucial para qualquer líder que se veja como o fulcro da criatividade na sua organização. Ela põe em causa a ideia de que uma única(o) visionária(or) deve orientar todos os aspectos de uma iniciativa criativa.
A ilusão do controlo
O desafio com que Templeton se deparou ecoa em muitos ambientes de startups. Nos estágios iniciais, um processo de tomada de decisão centralizado pode parecer uma vantagem, permitindo agir de forma rápida e decisiva num cenário em que a velocidade é determinante. No entanto, como Jason Tassie, da Know Your Business, reflecte, aquilo que começa como uma estratégia de sobrevivência pode rapidamente cristalizar-se numa cultura de empresa sufocante.
O problema torna-se ainda mais evidente quando os membros da equipa começam a recorrer à(ao) fundadora(or) para cada solução, partindo do pressuposto de que ela( e) tem todas as respostas necessárias. Esta dinâmica não só reduz a diversidade de ideias como também cria uma dependência que trava a inovação. “O perigo não é apenas ter menos ideias”, diz Tassie, “mas o facto de as ideias da(o) fundadora(or) se tornarem o centro de gravidade, prendendo os outros no seu campo de influência.”
